quarta-feira, 25 de março de 2009

Cidade Maravilhótica


Rio de Janeiro, cidade da maravilha e do caos.
Até o Cristo Redentor é maravilhoso e caótico,
tão maravilhoso que abre os braços, convidando,
assim, gente de todo o mundo, porém, simultaneamente,
tão caótico, que não abraça ninguém, não afaga, não
protege. Apenas olha tudo, e de cima...


Maravilhosa, mas caótica.
E sabe qual o porquê?
É que depende da ótica.
Tá nos olhos de quem vê.

Mas e os olhos, estão onde?
Na nobre e bela zona sul,
ou no morro que ela esconde?

Nos puteiros, ou igrejas barroquinas,
Nas casas de santo e nas favelas,
Ouço o pranto das querubinas
Vejo que santas, são todas elas...

"Perdoa, oh Pai , nosso Rio de Janeiro..."
Passará o Cristo de Redentor, a redimido?
Perdoa Rio, nosso velho não é curandeiro,
Abre os braços, sem abraçar os oprimidos.


É este, o sétimo dia, o do descanso sagrado?
Let it be, let it be, deixe estar, deixe estar
E até quando estaremos deixados?

domingo, 22 de março de 2009

Fé


Era comum perguntar-me : porquê?
Questões metafísicas me atordoavam,
minhas ilusões e ideais me alienavam,
estava sempre a espera um milagre.

Me fascinava com cada promessa:
- Sansão os alicerces derrubou.
Depois de tudo Jesus ressucitou,
e voltará, para que o mal impeça!

A visão dualística me desalentou,
Ânsias e buscas infindas se vão
Tal como a espera pela mutação,
A guerra vive, e ninguém ressucitou...

Já não espero nenhum milagre.
Questões cotidianas me atordoam
meu mundo e problemas me alienam
É comum perguntar-me: pra quê?

Vivo no auge da descrença, levada...
Não sou mais livre, a cada ato um receio,
Falta-me tempo, quero tudo e não sou nada,
Há quem tudo é e nada quer... ainda creio...